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Notícias

"Tempo Universidade, Tempo Comunidade... Tempo da Educação do Campo!"

Postada em: 21/01/2015

Muitos de nós vivemos, conhecemos ou ouvimos falar de alguém que enfrenta ou já enfrentou vários e vários quilômetros diariamente para poder frequentar a escola. E uma vez que lá está o ensino é descontextualizado, chegando a ser quase que uma “cópia” do mesmo que é ensinado na cidade. Em outros casos a situação também pode ser a de enfrentar os mesmos “suados” quilômetros para frequentar uma escola que fica nas periferias urbanas. Lá o ensino também não leva em consideração a vida no campo e pior... Fala-se da vida camponesa como atrasada, sendo o modelo urbano o único que representa o progresso na vida...

Esse movimento não está desconectado da questão histórica em nosso país em não reconhecer o campo enquanto um local de produção de saberes, onde residem famílias e famílias que também devem ter garantido seus direitos sociais e, dentre eles, a educação. Dados da PNAD e do Censo Escolar do MEC, através do Inep e ainda da Pesquisa de Avaliação da Qualidade dos Assentamentos da Reforma Agrária do Incra (2009) demonstram que ainda há 14,1 milhões de analfabetos no País, inclusive que, 1 em cada 5 brasileiros são analfabetos funcionais, isto é, conseguem ler e escrever, porém não realizam a interpretação e compreensão de um texto. De acordo com levantamento da Folha baseado nos dados do Censo Escolar, nos últimos dez anos foram fechadas 32,5 mil escolas. Só em 2013, foram 3.296 escolas fechadas no País, sendo que atualmente estão em funcionamento 70,8 mil escolas, perante 103,3 no ano de 2003.     

Entretanto, é somente agora, em 2014, que após anos de mobilizações, a presidenta Dilma sancionou lei que dificulta o fechamento de escolas rurais, indígenas e quilombolas: 

Art. 1º  o art. 28 da Lei no. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único:

“Art. 28

Parágrafo único. O fechamento de escolas do campo, indígenas e quilombolas será precedido de manifestação do órgão normativo do respectivo sistema de ensino, que considerará a justificativa apresentada pela Secretaria de Educação, a análise do diagnóstico do impacto da ação e a manifestação da comunidade escolar.”

Dessa maneira, precisamos entender que a Educação do Campo não é uma prática assistencialista de tratamento precário aos camponeses. Ao contrário, nela se discute vida, trabalho, terra, saberes populares e científicos, enfim, é a partir e por meio da educação do campo que estamos construindo uma perspectiva mais democrática de encarar e considerar milhares de famílias camponesas. Nos cursos de licenciatura, em geral, as pessoas trabalham o dia todo e à noite frequentam as aulas nas universidades. Ocorre que essa lógica se reproduzida perante aqueles que vivem no campo apenas irá reforçar a desigualdade e exclusão que sofreram e sofrem. 

Por isso, os cursos de Licenciatura em Educação do Campo funcionam com base na Pedagogia da Alternância, isto é, atividades desenvolvidas em Tempo-Universidade (termo designado para indicar o tempo em que as atividades pedagógicas são desenvolvidas no ambiente universitário) e Tempo-Comunidade (termo designado para indicar o tempo de desenvolvimento das atividades pedagógicas nos territórios das comunidades do campo), deste modo, defende-se concretamente o direito à educação superior pública e de qualidade e não meramente em discursos efêmeros

Pesquisadores e camponeses muito têm aprendido e transformado, mas ainda há muito o que fazer... Que todos/as possamos lembrar da reflexão do historiador Eric Hobsbwam... “Não nos desarmemos, mesmo em tempos insatisfatórios. A injustiça social ainda precisa ser denunciada e combatida. O mundo não vai melhorar sozinho.”

Fonte:http://www.correiodoestado.com.br/opiniao/rafael-rossi-tempo-universidade-tempo-comunidade-tempo-da/