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EducAmazônia

Programa EDUCAmazônia: construindo ações inclusivas e multiculturais no campo

Aos cinco ano de idade, comecei a estudar na escola Boa Esperança. A escola ficava a 2 quilômetros da minha casa. E todo dia tinha que ir para não ficar atrasada. Terminando a quarta série, comecei a quinta série na escola Sol Nascente, que ficava a 4 quilômetros da escola anterior. Passei meses nesse sofrimento para não parar de estudar'. O texto acima é um trecho da poesia Minha Vida no Campo, escrita por uma adolescente de Altamira, no sudoeste do Pará. A poesia, publicada em um site sobre educação, ilustra bem o desafio que crianças e adolescentes do Pará precisam vencer todos os dias para ter acesso a um direito básico, a educação (Jaqueline Almeida).

Foi para enfrentar o problema da exclusão social e educacional no campo do Pará e estabelecer ações que promovam e solidifiquem os conceitos de diversidade e multi/interculturalidade na Amazônia que, em 2004, um grupo de entidades organizadas em torno do Fórum Paraense de Educação do Campo (FPEC) se uniu para criar e efetivar o Programa EducAmazônia, iniciativa coordenada em conjunto pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade do Estado do Pará (Uepa), Universidade da Amazônia (Unama) e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), além do FPEC, com apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) (Jaqueline Almeida).

Assim, em 2005, foi criado o "Programa EDUCAmazônia: construindo ações inclusivas e multiculturais no campo" após a realização do II Seminário Paraense de Educação do Campo, no âmbito do Fórum Paraense de Educação do Campo, numa articulação que envolveu a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade do Estado do Pará (UEPA), a Secretaria de Educação do Estado do Pará (SEDUC) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), com o apoio do o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Ele objetivava contribuir para com a elaboração e implementação de políticas públicas sociais e educacionais que assumam como princípios fundamentais a inclusão social e educacional das crianças,  adolescentes, jovens e adultos pertencentes às populações do campo, a qualidade social das ações e dos serviços públicos oferecidos a essas populações, e a afirmação e valorização da diversidade sócio-cultural presente na região.

 

O Programa investiu no fortalecimento do protagonismo dos sujeitos do campo, nos espaços locais em que eles se manifestam, contribuindo com a formação dos formadores locais que davam continuidade ao trabalho desenvolvido.

O Educamazônia partia do pressuposto e do princípio de que a região amazônica é constituída, historicamente, por uma ampla diversidade sócio-cultural e ambiental. Para qualquer política de desenvolvimento e de educação na Amazônia que se queira justa, sustentável e includente, é preciso partir dessa compreensão e do reconhecimento das diversas populações (indígenas, negras, caboclas, ribeirinhas, camponesas etc.) como sujeitos e dos seus territórios. Caso contrário, corre-se o rico de se reproduzir uma política de (neo)colonização, que nega e excluí a cultura e o saber do 'outro', o seu modo de existir. Para o EducAmazônia, a inclusão articula e combina, indissociavelmente, o reconhecimento e afirmação das diferenças e distribuição das riquezas. Portanto, uma política de educação do campo para a Amazônia precisa se pautar pela multi/interculturalidade.

 As ações do Programa EducAmazônia foram motivadas por um conjunto de intenções e de razões. Dentre essas, destacava-se duas fundamentais: a primeira tratava-se da problemática da exclusão e do quadro dramático da educação rural que as classes populares desse espaço amazônico enfrentam, como o analfabetismo, a evasão, a repetência, a distorção idade-série, a baixa média de anos de escolaridade, além de crianças e adolescentes, pessoas jovens, adultas e idosas estarem excluídas do sistema educacional. A segunda, que se constitui como um enfrentamento à situação anterior, e consiste em contribuir para que sejam criadas as condições reais e viáveis de formulação e efetivação de políticas públicas para garantir e afirmar os direitos das populações do campo e sua dignidade.

Além das atividades de mobilização e intervenção nos municípios, em parceria com o Fórum Paraense de Educação do Campo e o UNICEF, O Programa EDUCAmazônia, lançou no dia 17 de Abril de 2007, o Portal da Educação do Campo do Pará que objetiva, até o presente momento, ser uma grande referência no âmbito regional e nacional do Movimento Paraense por uma Educação do Campo.

Outra importante ação do Programa foi a discussão sobre a operacionalização e o acompanhamento dos Planos de Ações Articuladas (PAR) junto a representantes das associações de municípios do Pará e os presidentes da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) dos Estados do Pará, Maranhão, Roraima, Rondônia, Amapá, Acre, Amazonas, Mato Grosso e Tocantins.