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A juventude é uma categoria plural, portanto, não é unívoca, de valor universal, homogênea. Compreender a juventude exige reconhecê-la como uma onstrução histórica e cultural, inscrita numa cartografia social mais ampla, em que a definição de faixa etária é um dos elementos constitutivos.  

 

No Brasil, atualmente, a juventude é definida na faixa etária de 15 a 29 anos, sendo o Plano Nacional de Juventude um dos principais instrumentos de tal definição. É expressivo o contingente de jovens na Região Amazônica. Dados do IBGE (Censo 2000) indicam que 26,5% da população amazônica é jovem, espacializada nos estados.  
 
As juventudes amazônicas só podem ser compreendidas na dinâmica complexidade que marca a região, cujo processo histórico de antropização foi pontuado por conflitos e o contexto atual é agudizado por contradições e desigualdades.  

O cotidiano dos jovens da Amazônia rural tem no trabalho, na família, na educação e no lazer suas principais manifestações. A dinâmica do trabalho na região é marcada pela dependência da terra, das águas e das florestas. A labuta no trabalho dos sistemas de cultivo e de criação, no extrativismo, na pesca, é base constitutiva da produção familiar.
 
A cultura das comunidades rurais amazônicas tem sido reinventada na tensão tradição-­modernidade, incorporando elementos materiais e simbólicos da vida urbana; mas preservando também elementos que os diferenciam da cidade, a exemplo da simbiótica relação com a natureza, da organização econômica e das relações sociais, do manejo dos recursos naturais.

 

O governo federal no mandato do presidente Lula instituiu a Secretaria Nacional da Juventude, o Conselho Nacional da Juventude. Programas têm sido implementados, a exemplo do Programa ProJovem Campo ­ Saberes da Terra, Pronaf Jovem, Minha Primeira Terra, entre outros.  
 
Gritos da Terra, Marchas, Festivais, Intercâmbios são inequívocos da força da mobilização dos movimentos sociais no país, em que os jovens têm empunhado suas bandeiras de luta. Juventudes do MST, Contag, Ceffa's, Fetraf, Pastoral da Juventude Rural, Movimentos Negros e Quilombolas, entre outras, são expressões dos jovens em ação.  
 
Muitos são os desafios e entre eles se destaca a necessária formulação e implementação de políticas públicas capazes de superar as assimetrias regionais construídas historicamente no país. As análises de Novaes (2007) e Sposito e Carrano (2007) são importantes na compreensão de políticas públicas de juventude no Brasil.  
 
O Relatório da OEI (Waiselfisz, 2006) revela que a melhoria dos Índices de Desenvolvimento Juvenil (IDJ) constitui um desafio na Região Amazônica. Dos sete estados da região, nenhum está entre os dez melhores índices do país e três deles estão entre os seis menores IDJ do Brasil.  
 
Na Conferência Nacional de Juventude promovida pelo governo federal em 2008, articulada com a sociedade civil, os mais de 2 mil jovens elegeram entre suas prioridades a educação do campo, com ênfase na garantia do acesso ao ensino médio. A questão ambiental também foi uma das prioridades definidas. As Resoluções da Conferência são a base do Pacto pela Juventude, instituído pelo governo federal.  
 
As múltiplas identidades e diversidades juvenis foram afirmadas como prioridades na conferência. Assim, jovens negros e negras, a juventude do campo, os povos e comunidades tradicionais foram reconhecidos como prioritários nas políticas públicas de juventude.

Autor: Jacqueline Freire.

http://www.teoriaedebate.org.br/materias/sociedade/ser-jovem-na-amazonia?page=full