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A Pedagogia da Alternância atribui grande importância à articulação entre momentos de atividade no meio socioprofisional do jovem e momentos de atividade escolar propriamente dita, nos quais se focaliza o conhecimento acumulado, considerando sempre as experiências concretas dos educandos. Por isso, além das disciplinas escolares básicas, a educação nesse contexto engloba temáticas relativas à vida associativa e comunitária, ao meio ambiente e à formação integral nos meios profissional, social, político e econômico (Gimonet, 1999; Estevam, 2003; Silva, 2005; Begnami, 2006).

A Pedagogia da Alternância surgiu no Brasil em 1969, por meio da ação do Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES), o qual fundou as então Escola Família Rural de Alfredo Chaves, Escola Família Ru al de Rio Novo do Sul e Escola Família Rural de Olivânia, essa última no município de Anchieta. O objetivo primordial era atuar sobre os interesses do homem do campo, principalmente no que diz respeito à elevação do seu nível cultural, social e econômico (Pessotti, 1978).

Atualmente existem no Brasil diversas experiências de educação escolar que utilizam a Pedagogia da Alternância como método. As experiências mais conhecidas são as desenvolvidas pelas Escolas Família Agrícola (EFAs) e pelas Casas Familiares Rurais (CFRs). Não obstante, tendo em vista a proximidade de propósitos, as entidades que articulam essas

organizações educacionais, bem como diversos pesquisadores da área, vêm utilizando uma terminologia genérica para se referir às instituições que praticam a alternância educativa no meio rural: Centros Familiares de Formação por Alternância (CEFFAs). O Brasil conta hoje com 243 CEFFAs (UNEFAB, 2007) em atividade em todas as regiões e em quase a totalidade dos estados, com exceção de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Todavia, apesar desse expressivo número de instituições, nas quais atuam também expressivo número de educadores e educadoras, e em que pese o fato de a Pedagogia da Alternância vir sendo utilizada há quase 40 anos no Brasil, “essa proposta pedagógica ainda é discutida com pouca ênfase no meio acadêmico e nos órgãos técnicos e oficiais” (Estevam, 2003, p. 14). Esse fato também tem sido constado por autores como Queiroz (2002) e Begnami (2004), os quais apontam para a existência de uma carência de estudos a respeito do tema e, sobretudo, de suas características pedagógicas.

Em projeto de pesquisa que vimos desenvolvendo – do qual o presente trabalho faz parte –, realizamos um levantamento das dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre Pedagogia da Alternância defendidas no Brasil entre 1969 e 2006. O objetivo deste artigo é mapear e discutir essa produção acadêmica, visando estabelecer um primeiro esboço do “estado da arte” nesse campo de investigação.

 

Fonte: Teixeira, Edival Sebastião et.al.  Estudos sobre Pedagogia da Alternância no Brasil: revisão de literatura e perspectivas para a pesquisa. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.34, n.2, p. 227-242, maio/ago. 2008