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Trabalho e Educação no meio rural da Amazônia: A família e a escola como agentes formadores

Autor(es): Carlos Renilton Freitas Cruz / Ano: 2010 / Categoria: Teses

Resumo:

As condições de sobrevivência no meio rural da Amazônia têm sido marcadas por vários desafios de ordem econômica, social e política que interferem significativamente no processo de reprodução social dos sujeitos e na atuação das instituições públicas existentes naquele espaço. A preparação das gerações mais novas para o mundo do trabalho está diretamente relacionada com a avaliação sobre a vida que se tem hoje e com as perspectivas que são construídas em torno do amanhã, realizadas pelos atores sociais nela envolvidos. A família camponesa e a escola de ensino médio, por serem agentes que direta ou indiretamente formam para o exercício do trabalho, estão fortemente ligadas a essa problemática. Este trabalho busca perceber a maneira como a escola de ensino médio rural e a família camponesa compreendem e praticam a preparação para o trabalho de seus alunos(as)/filhos(as), bem como estes perspectivam seu futuro profissional. Na coleta dos dados, realizada na zona rural do município de Igarapé-Açu, no estado do Pará, utilizou-se a entrevista semi-estruturada junto a 10 pais/mães, 20 jovens estudantes e 10 professores(as) do ensino médio. As análises dão conta de que no processo de autoafirmação enquanto grupo social, o trabalho continua a ser um valor que figura no centro da cultura camponesa, base da produção e da reprodução do agregado familiar. Ao mesmo tempo em que é o motor da sua base econômica, o trabalho é utilizado como conteúdo e método nas práticas educativas familiares que fundamentam a reprodução de seus traços culturais, o que, necessariamente, cobra o envolvimento de todos os membros, de acordo com as possibilidades de cada um, nas atividades produtivas e reprodutivas do grupo. As famílias camponesas da comunidade investigada vivem em condições adversas, fruto da inexistência ou precariedade de infraestruturas mínimas capazes de proporcionar uma produção com maior valor agregado, menores custos de comercialização e menor subordinação ao mercado. Os agregados familiares de hoje parecem ser tão (ou mais) pobres quanto as famílias dos seus antepassados e as condições atuais, em suas perspectivas, não apontam para dias melhores. Assim, frente a atual possibilidade de extensão da escolaridade dos(as) mais novos(as), pelo menos até o final do ensino médio, e da ausência de perspectivas quanto a melhoria das condições de vida no campo, pais/mães camponeses(as) enxergam na formação familiar para o trabalho agrícola não mais que um “plano B”, uma reserva de saber a ser utilizada caso o futuro profissional apoiado na escolarização e localizado na cidade não seja factível. A escola da realidade investigada encontra-se nitidamente desenraizada da comunidade, o que pode ser constatado pela abordagem descontextualizada dos saberes nela trabalhados, mas também pela distância mantida em relação aos problemas sociais e econômicos que afetam o desenvolvimento local. Entretanto, nos parece que a escola, um espaço em disputa, pode trilhar um outro caminho junto com a comunidade, pois é a principal instituição pública da região, possui legitimidade como agência formadora de qualidade, e nela trabalham alguns docentes que se identificam com o meio rural e têm clareza dos limites e possibilidades de sua atuação no desenvolvimento local.


Anexo(s):


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